Rede dos Conselhos de Medicina
O atendimento de urgência em Goiânia foi debatido em plenária temática do Cremego

 

Em uma plenária temática, realizada na quinta-feira (3), o Cremego debateu o atendimento de urgência em Goiânia. De forma virtual, representantes de diversas entidades médicas reuniram-se com diretores e conselheiros do Cremego para analisar a situação atual, relatar experiências nesse tipo de atendimento e propor melhorias.

No início da plenária, o presidente do Cremego, Paulo Roberto Cunha Vencio, leu a Resolução nº 2.077/2014, do Conselho Federal de Medicina (CFM), que normatiza o funcionamento de Serviços Hospitalares de Urgência e Emergência.

O documento aborda a implantação da Classificação de Riscos, a qualificação do profissional médico para esse tipo de atendimento e as responsabilidades do diretor técnico, entre outros tópicos.

Ao iniciar o debate, o presidente da Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg), Haikal Helou, afirmou que a equalização de leitos, prevista na Resolução, é algo irreal na prática. “Durante a pandemia, recebi mais ligações de pessoas querendo transferências do que pessoas querendo leitos. Quando querem apenas os mesmos dois ou três hospitais, não há como fazer a equalização”.

Ele comparou a assistência em Goiânia com a de outras capitais e mostrou a deficiência que ainda existe em Goiás. “Belo Horizonte, por exemplo, tem o Mater Dei, que possui 24 equipes de plantão, sendo de um a cinco médicos por equipe. Eles têm endocrinologistas e geriatras de plantão. A fila para ser plantonista lá é de mais de dois anos e ainda é preciso ser professor da UFMG. Por que lá é assim? Porque o mercado comporta. Aqui, temos instituições que são denominadas de hospitais, mas abrem às 8 e fecham às 18 horas. Falam que possuem emergência, mas, na verdade, é só um médico de sobreaviso”, contou. Haikal se colocou ainda à disposição do Conselho para debater mais o assunto e auxiliar em uma mudança no cenário goianiense.


André Braga, coordenador geral do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Goiânia, disse que acredita que não é mais possível tratar o serviço de emergência com separação entre atendimento público e privado. É necessário ter uma parametrização única, com uma rede de atenção multisetorial.

Ele também abordou a necessidade de uma melhor formação médica. “O médico deve ser treinado em formação realística para, ao sair da faculdade, ter capacidade de realizar um plantão em um atendimento de urgência”, defendeu André Braga.

A respeito disso, o diretor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (FM/UFG), Antônio Fernando Carneiro, respondeu que já há preocupação para uma melhor qualificação dos acadêmicos na área de emergência. “Estamos trabalhando para que possamos fortalecer o treinamento realístico, com a criação de um laboratório”.

Marcelo Netto ressaltou a necessidade de uma organização do serviço. “Eu acredito em um novo modelo assistencial, baseado em rede de urgência e emergência. Listar os hospitais, os perfis assistenciais e as capacidades instaladas. Por exemplo: quem realmente atende neurologia 24 horas? Assim, os pacientes poderão ser encaminhados de maneira correta. Acho que falta pouco para a gente construir uma rede de atenção de urgência e emergência: temos a viabilidade técnica e de serviços, mas falta a viabilidade política”.

O superintendente de Atenção Integral à Saúde, da Secretaria de Estado de Saúde de Goiás, Sandro Rodrigues, enfatizou essa necessidade de encaminhar os pacientes às instituições adequadas. “Quando inauguramos o Hugol, vimos pacientes com cortes simples em um hospital de alta complexidade. Isso mostra que o sistema deve funcionar bem, como um todo, mas com essas situações, não faz milagres”.

Ele apresentou ainda o projeto de instalação de mais de 5 mil leitos de UTI em todo o Brasil, discutido em uma reunião do Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass). Em Goiás, seriam 178 leitos. “Porém, sabemos que não adianta aumentar leitos, se não tivermos como lidar com o processo, que é a força de trabalho”, alertou Sandro.

Leonardo Emílio, conselheiro do Cremego e do CFM, propôs a criação de uma Câmara Técnica no Cremego. “Vejo que o médico que trabalha em emergência está ali apenas até passar em uma residência ou conseguir algo melhor. Por isso, sugiro que façamos uma Câmara Técnica de emergencistas para termos um palco de discussão sobre isso”.

Primeiro tesoureiro do Cremego, Aldair Novato Silva, ressaltou que todos os profissionais de uma emergência deveriam ser mais qualificados, até mesmo a equipe de recepção, que já poderiam contribuir para uma classificação prévia.

O conselheiro do Cremego, Flávio Cavarzan, apoiou a ideia de criação de uma Câmara Técnica e citou as dificuldades enfrentadas por hospitais privados e a rede de saúde. “O que falta em Goiânia é investir na saúde, com a participação do município, estado e também as grandes operadoras de planos de saúde”, acrescentou.

Pedro Santana, diretor de Recursos e Serviços Próprios da Unimed Goiânia, ressaltou que a entidade se coloca à disposição para a reestruturação do sistema de emergência da capital. “No entanto, acredito que temos que trabalhar juntos. Em questão de remuneração, a Unimed Goiania tenta remunerar da melhor forma possível seus cooperados e também vemos como importantíssima a qualificação do profissional”.


Também conselheiro, Ferdinando César, afirmou que há ainda o problema da falta de assistência aos pacientes que já foram internados. “Estamos com deficiência em responsabilidades por intercorrências de pacientes internados. Muitas vezes, eles estão passando mal e a enfermeira ainda tem que ligar para o médico assistente”.
Representando o Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego), Cláudio Tavares parabenizou pela oportunidade gerada pelo Cremego para discutir o assunto.

“Porém, não vejo evolução na parte prática, do funcionamento do serviço de urgência. Vejo até que conseguimos perder em algumas áreas. Em algumas cidades, há uma piora do atendimento, que recai no paciente e no médico. No Simego, por exemplo, recebemos denúncias de casos de violência e agressões ao profissional”.


Ao final do debate, o presidente do Cremego, Paulo Vencio, confirmou a criação de uma Câmara Técnica e de um documento para nortear as mudanças necessárias.
“Temos que enxergar a saúde de uma forma diferente. Não é porque temos uma porta aberta, com alguns profissionais de saúde, que significa uma assistência adequada. Portanto, quero que cada uma das entidades participe de nossa Câmara Técnica e proponho um documento para que ele seja um norteador dessa mudança do atendimento de urgência e emergência”, finalizou.

Toda a plenária permanece gravada no Youtube do Cremego:https://www.youtube.com/watch?v=jNwOl6ddyEA

 

(Texto aprovado pelo 1º Secretário/Cremego 04/12/20)

 
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