O ensino médico foi o tema central do segundo dia de debates do I Encontro Nacional de Conselhos de Medicina (ENCM), que acontece desde ontem (16) no Cremego e reúne representantes do Conselho Federal de Medicina e de Regionais de todo o País. A partir do tema “Da Graduação ao Mercado de Trabalho”, os participantes debateram o funcionamento dos cursos de medicina, a abertura de novas escolas, a residência médica e a importância da educação continuada para a atualização dos profissionais.

Muitos conselheiros manifestaram preocupação com a abertura de novas escolas e destacaram a necessidade de fiscalização do funcionamento das existentes para que a qualidade dos cursos oferecidos seja assegurada. O secretário da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Milton de Arruda Martins, disse que, atualmente, tramitam cerca de 80 propostas de criação de cursos de medicina no Brasil.

Segundo ele, os Ministérios da Saúde e da Educação estão fazendo um estudo para avaliar quantos médicos o País precisa formar a cada ano. “Para sabermos quantas escolas são necessárias temos de saber de quantos médicos o Brasil precisa”, disse Milton de Arruda, que ressalta a importância da qualidade dos cursos de medicina e da formação de médicos éticos, competentes e com responsabilidade social.

Ele citou que, anualmente, o Brasil forma cerca de 13 mil médicos, sendo que aproximadamente 4 mil deles não encontram vagas em residência médica e muitos vão trabalhar em unidades de saúde nas quais se deparam com situações que exigem maior preparo do profissional. Para sanar esse déficit, o secretário sugere o aumento das vagas na residência médica, assegurando o acesso a todos os formandos.

“Esse aumento é estratégico, pois a residência é um dos fatores de fixação do médico”, disse. A distribuição das novas vagas, segundo Milton de Arruda, se daria em função das necessidades sociais, com um projeto pedagógico aprovado e critérios de avaliação dos residentes e docentes.

Para o presidente da Federação Nacional dos Médicos (Fenam), Cid Carvalhaes, que também participou dos debates, é preciso ainda aumentar o valor da bolsa-residência. Mais de 90% dos residentes, de acordo com uma pesquisa apresentada, têm trabalhos adicionais para complementar a renda.

No debate sobre o ensino médico também foi ressaltada a importância da abordagem da ética nos cursos de graduação, residência, encontros e congressos. O oftalmologista Élcio Luiz Bonamigo, que abordou a formação ética do estudante de medicina, observou que o uso de recursos, como a simulação de julgamentos, a exibição de filmes, a dramatização de situações e reuniões com membros de grupos, como os Alcoólicos Anônimos, contribuem para despertar o interesse dos alunos e facilitam o ensino da ética médica.

 

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